30.4.17

Nascedouro

Fotografia minha
Acordei cedo, antes mesmo do despertador tocar. Peguei o celular e a tela me disse que ainda eram seis e vinte e que fazia quatro graus. Levantei da cama, procurei em vão os chinelos e saí caminhando apenas com as meias nos pés. O piso estava congelado e escorregadio como a fina película envidraçada que cobre os lagos nas regiões mais próximas aos polos. Já na cozinha pus a água do café para esquentar. Enquanto esperava pelo chiado, voltei até o quarto e abri as cortinas. Assim que olhei para o lado de fora, porém, fiquei tão espantada com o que via que por um bom tempo os apitos que começaram a ressoar da cozinha me ficaram alheios. Percebi, pela primeira vez desde que me mudei de casa, que é ali a poucos metros de onde eu moro agora, entre as nascentes e as árvores, que as nuvens partem em revoada todas as manhãs.  

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